Há mais de um ano, o abrigo municipal de adolescentes de Maringá se tornou a casa da Ana (nome fictício), de 15 anos. No local, ela é a única à espera de adoção. A garota, que sonha em ser professora de matemática, vive na expectativa de, um dia, ser adotada. Caso isso não aconteça, ela permanece no abrigo até completar 18 anos e, posteriormente, precisará encontrar um lugar para viver.

Ana conhece cada canto do abrigo e, acompanhada do diretor da unidade, Jaime Corrêa da Rocha, apresentou todos os cômodos à reportagem do GMC Online. Da recepção à sala de música – onde ficam os violões e o teclado -, passando pelo pátio com paredes grafitadas, sala de informática, dormitórios, banheiros, refeitório e cozinha. Além da horta, com alface, rúcula, hortelã e outras hortaliças, que ela mesma ajuda a cuidar.

Além de apresentar o abrigo à reportagem, a jovem contou sua história: foi abandonada pela mãe, que era usuária de drogas, quando ainda era bebê. Quando tinha um ano e oito meses, foi adotada por uma família, mas a partir dos seis anos de idade passou a sofrer abusos dentro de casa.

“Comecei a ter problemas com o tio dessa família, e com 12 anos, a família decidiu me abandonar, eles diziam que eu não estava me comportando. Passei por famílias acolhedoras, cheguei a me envolver com drogas, e depois vim morar no abrigo. Percebi que aqui seria melhor para mim, porque se eu estivesse morando com a minha mãe desde criança, não estaria mais viva”, relata.

Neste ano, Ana está concluindo o primeiro ano do ensino médio e estuda para o Processo de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Além da paixão pelos números, a adolescente gosta de tocar violão, fazer pinturas em camisetas, entre outras atividades.

“Eu gosto muito de estudar e desde criança quero ser professora de matemática. Já fiz jiu-jitsu, gosto muito de tocar violão e faço pinturas em camisetas – aprendi em um curso que tivemos no abrigo. Eu tenho muita força de vontade, se eu começo a fazer uma coisa eu tenho que terminar”, revela a jovem.

De acordo com o diretor do abrigo, Ana é uma jovem tranquila e prestativa.

“Ela só teve problemas com a outra família porque foi abusada. É tranquila, não dá trabalho nenhum, ajuda com o que for necessário. Além disso, é estudiosa, fica o dia inteiro estudando, é uma menina que a gente vê que tem futuro. E existe uma expectativa muito grande pela adoção, ela anda com uma ansiedade tão grande que precisa tomar remédio”, reforça Jaime Corrêa da Rocha.


Abrigo de adolescentes

O abrigo municipal de adolescentes de Maringá fica no Jardim Alvorada e acolhe jovens de 12 a 18 anos incompletos. No momento, além da Ana, outros sete adolescentes estão no local, mas de forma provisória. A tendência é que se reaproximem de suas famílias aos poucos.

“Recebemos adolescentes encaminhados pelo Conselho Tutelar ou pelo Judiciário. São jovens em situação de risco e vulnerabilidade social, com conflitos familiares, entre outros motivos. Damos proteção, encaminhamos para o primeiro emprego – como jovem aprendiz -, oferecemos curso de informática, violão, levamos ao médico, psicólogo. Procuramos ser uma casa, mas a gente não supre a falta familiar. Depois buscamos parentes para reinseri-los na família aos poucos. Não conseguindo ninguém da família, o Judiciário pode colocar para adoção”, detalha o diretor da unidade.

No abrigo, os adolescentes têm uma rotina a cumprir. Durante a pandemia, com aulas online, eles acordam às 8h e estudam até às 11h. Almoçam por volta das 11h30, descansam e retomam os estudos às 14h. O jantar é servido por volta das 20h e se preparam para dormir a partir das 22h.

“Todos são matriculados em escolas, têm atividades escolares para fazer e regras para seguir. Eles ajudam a organizar os quartos, alguns lavam suas roupas, é uma escola para a vida futura. Semanalmente, fazemos caminhadas de, pelo menos, uma hora. Eles não podem ficar sem fazer nada, senão ficam ansiosos”, frisa Jaime Corrêa da Rocha.

Maringá conta, ainda, com um abrigo municipal infantil, que acolhe crianças de zero a 12 anos incompletos. No momento, há oito crianças abrigadas no local. Além disso, algumas crianças e adolescentes ficam em famílias acolhedoras. São famílias que se dispõem a dar abrigo em suas casas por um período de até 18 meses. Elas recebem um salário mínimo para pagar as despesas e não são autorizadas a adotar.

Atualmente, há uma única criança à espera de adoção em Maringá. Trata-se de um menino de um ano e meio, que está em uma família acolhedora.

Adoção

Para se candidatar à adoção é obrigatório ter mais de 18 anos e ter 16 anos a mais que a criança ou adolescente a ser adotado. Para realizar o cadastro, é necessário procurar a Vara de Infância e Juventude, no Fórum de Maringá, localizado na Avenida Tiradentes, nº 380.
Fonte e Créditos: http://www.cbnmaringa.com.br